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Indecifrável é o rosto que vejo. Contornos maleáveis se desdobram em sorrisos e medos. Tão pura é a essência do medo. Me tiram a mascará e não me reconheço, um alento em meio a desordem. Sobre a vista de meus olhos, decifro olheiras cansadas das caminhadas. Não vejo e não penso. Sou um pêndulo de uma vida controversa. A borboleta em meio ao caos. Quebrando em cacos o narcisismo da alma bem defronte a sua janela, vivendo uma realidade paradoxal que alterna desejos e egos, realidade polida e metalizada.
Espelho - SCHÜTZ, Mateus.
Feb 17, 2014
Nasci há bilhões de anos atrás como parte de moléculas solares, talvez eu seja toda a parte degradante do sistema solar envolto a partículas numéricas infinitas. Sou um toldo encobrindo toda a tenra forma molecular interplanetária. Sou uma compensação carbonífera de alma rastejante que adentra em partes subatômicas, manifestando sobre a matéria resquícios de anormalidade humana. Sou um todo de tantos e um tanto de tudo, sobrepujando as mesmas partículas e impregnando almas com matéria vencida.
Mateus Schütz
Feb 10, 2014
Vivemos em média 80 anos, juntamos assim, uma média de 30 anos de memórias vagas. Mas se o tempo é relativo, vivemos sempre no presente, segundo o qual refere-se ao hoje - se amanhã pode ser hoje e o hoje pode ser ontem.
Onde se sufocam tantas memórias e em que tempo? Onde guardamos a saudade e por onde ela vagueia?
Minhas perguntas soam no passado, mas são ouvidas e representadas no futuro, que logo esse torna-se passado novamente. O presente é momentâneo e esse logo passa, o passado é vago e tudo nele fica. Para mim, o tempo não é relativo e sim um presente momentâneo perdido no passado, no qual remexemos nossas vagas memórias e imploramos o óbito da saudade, mas por ora, ficam os aprendizes da nostalgia.
- O tempo é saudade em cima da cadeira. - SCHÜTZ, Mateus.
Jan 23, 2014 / 1 note
Escrevo-lhe novamente; hoje senti teu sol, teu brilho, teu aroma que se mistura com a brisa do amanhecer, senti-me cuidado, observado, rumado por uma mão que tocou minha aura, não importei-me com o cegar de meus olhos esta manhã pelo sol, pois sei, tua mão me conduziu. Peço para que ainda me conduza porque esta estrada é uma via de mão dupla, teus sinais observei, estão por aí, em toda parte. Mantenha esta paciência, pois estamos perto do fim e é com súplicos que peço-lhe: continue comigo até o fim!
Um susejeito oculto. - Mateus Schütz
Jan 6, 2014
Cheguei a beira do abismo, e é assim com meu corpo irrequieto que lhe suplico: olhai para baixo e fitais o declínio profundo onde minha alma está prestes a cair. Interceda com apenas um puxar leve de suas mãos, fortes o suficiente, para impulsionar um salto por cima do abismo. Já não sei mais para onde correr, meu corpo não responde mais aos mecanismos neurais, pois minha mente, nem sei por onde andas.
Mateus Schütz
Jan 5, 2014
Deito, rodeado por espinhos. Avisto, de longe, dezenas de rosas, tão belas. Logo, não posso toca-las, pois me encontro ainda rodeado por espinhos, onde por pequenos feixes é que avisto tais rosas. Porém, apenas avisto rosas, nenhum vestígio de luz, nem a lua se posta à noite, querendo aqui iluminar. Lamento com as mãos pousadas em meu rosto, seria eu capaz, tão capaz a ponto de tentar?
Mesmo sem saber por onde começar, nem qual rumo tomar, aguardo por feixes de luz, além de rosas
Rosas à vista, corpo a inércia. - Mateus Schütz
Jan 5, 2014
Quando o centauro se vai, vem voando lá longe, completamente distante, vindo devagar, resplandecendo no horizonte, o cavalo alado. Vem tilintando as asas que, mesmo de longe, ouço como se estivesse dentro de minha cabeça, absorvendo todo o sangue árduo que mantenho quente em meu coração. Leve, arranque de mim, com seus poderes mitológicos, o mal que bombeia todo o contorno de meu corpo, indo de um extremo à outro.
Sei, sou metade homem, metade cavalo, metade Sclyar, metade Verríssimo, metade terra, metade céu, metade dor, metade amor, divisão do processo psicológico de consciência, subdesenvolvido, às vezes absorvido no processo de crise de
existência. Como também sei, sou petulante, exuberante em carência, voo sem asas, com abraços e beijos, com luta e força,
sou a forma física da alma, nada mais além de um manisfesto dotado de um materialismo supérfluo, sou, além de mim, ar, mistério, paixão e sonho!
O centauro alado - Mateus Schütz
Jan 2, 2014
Em “O Banquete” de Platão, Sócrates debate com Diotima sobre o que seria Eros, aliás o livro inteiro se baseia, todo ele, nessa perspectiva, sendo assim ambos concordam, a partir de teorias, de que se Eros foi concebido através de uma relação de Penúria e Poros, Penúria sendo desprovida de sabedoria e riqueza e Poros -caminho- sendo um sábio e personificação da riqueza, estaria Eros no meio termo, não sendo sábio, nem ignorante, nem pobre e nem rico. A partir desse principio, sabemos então que Deuses, assim como Poros, são belos, e sendo assim, venturosos. Já Penúria, como personificação da miséria, podemos dizer que tal estado de miséria não é belo, é digno de pena e por isso feio. Feito tal conclusão podemos atribuir a Eros, também, uma neutralidade entre o belo e o feio, entre os seres humanos e os Deuses, como dito no livro, já que Eros seria o intérprete e o mensageiro de ambas as raças. Porém então, chegando-se a esta conclusão, algo não me sai da cabeça, já que o livro se preocupa avidamente em descobrir quem foi Eros e seus atributos, que há um vago esclarecimento sobre quem são os seres humanos. Bom, voltando a conclusão de que Eros é uma neutralidade entre o belo e o feio, entre o sábio e o ignorante e entre os Deuses e os homens, poderíamos então sugerir que os seres humanos seriam maus e infelizes, já que os Deuses são belos e venturosos, estando Eros sempre no meio termo?
Teoria dos homens - Mateus Schütz
Nov 13, 2013
Nov 4, 2013 / 3,667 notes
Segunda-feira, moribunda, toda sonolenta, estatelada na calçada como a chuva que lava a alma, mas transborda por um corpo imundo que apaga o céu por rancor.
Mateus Schütz
Oct 21, 2013 / 2 notes