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Estas a dormir dentro de mim. Encontrando-me em momentos de triste retirada. Tristes prantos amargos, amargas lágrimas. Gotejam entre nervos meus. De cima à baixo. Turvo consciências, obnubilo razões. Precipito incertezas e grito avarezas. Compraz-me mentes prudentes, capazes de transformar torrentes pontos de interrogação em claros pontos de exclamação. Mostram-se cordiais e alegres. Triste precipitação minha, blasfemando por meus nervos, jorrando repulsas por minha boca.
Mateus Schütz - Pobre Mente Excruciante
Jul 18, 2014
O homem perdeu vidas inteiras delimitando territórios, sofrendo em desconfiança e organizando suas ganâncias. Fez d’água ouro e do pão diamante, do estúpido um sábio e do sábio um arrogante.
Mateus Schütz
Jun 30, 2014
Quebro em cacos, atormenta-me os anos, traço os passos. Borro a silhueta num esforço de reviver outrora. Despedaço, poderíamos partir ao espaço de tempo, deixá-lo lento, transferi-lo ao pretérito, conduzi-lo lento. Devagar. Abstendo-se dos minutos, dos desejos, atuando em lembranças, acordando sóis, espreitando o luar.
Lento, o tempo voa quando escrevo. Das dez às duas, ponte, de uma ponta a outra, num piscar de olhos. Tento às três, ou outra hora, outro mês, a volta dos anos, tento outra vez.
Mateus Schütz
Jun 27, 2014
Há anos, ao lado do ego não deito-me mais. Sonolento sobre o silêncio, calei-me sobre o tempo e o tempo calou-me os dedos. O itinerário habitual vivencio. Despejo-lhe os medos e de praxe, junto ao café da manhã, acompanham-me até a chegada do jantar. Alimento-os mesmo querendo matar-lhes de fome. Prendo-me, acorrento-me e mesmo assim aspiro o ar. Sei que o ego não há de voltar.
Tempo perdido - Mateus Schütz
Jun 17, 2014 / 2 notes
Indecifrável é o rosto que vejo. Contornos maleáveis se desdobram em sorrisos e medos. Tão pura é a essência do medo. Me tiram a mascará e não me reconheço, um alento em meio a desordem. Sobre a vista de meus olhos, decifro olheiras cansadas das caminhadas. Não vejo e não penso. Sou um pêndulo de uma vida controversa. A borboleta em meio ao caos. Quebrando em cacos o narcisismo da alma bem defronte a sua janela, vivendo uma realidade paradoxal que alterna desejos e egos, realidade polida e metalizada.
Espelho - SCHÜTZ, Mateus.
Feb 17, 2014
Nasci há bilhões de anos atrás como parte de moléculas solares, talvez eu seja toda a parte degradante do sistema solar envolto a partículas numéricas infinitas. Sou um toldo encobrindo toda a tenra forma molecular interplanetária. Sou uma compensação carbonífera de alma rastejante que adentra em partes subatômicas, manifestando sobre a matéria resquícios de anormalidade humana. Sou um todo de tantos e um tanto de tudo, sobrepujando as mesmas partículas e impregnando almas com matéria vencida.
Mateus Schütz
Feb 10, 2014
Vivemos em média 80 anos, juntamos assim, uma média de 30 anos de memórias vagas. Mas se o tempo é relativo, vivemos sempre no presente, segundo o qual refere-se ao hoje - se amanhã pode ser hoje e o hoje pode ser ontem.
Onde se sufocam tantas memórias e em que tempo? Onde guardamos a saudade e por onde ela vagueia?
Minhas perguntas soam no passado, mas são ouvidas e representadas no futuro, que logo esse torna-se passado novamente. O presente é momentâneo e esse logo passa, o passado é vago e tudo nele fica. Para mim, o tempo não é relativo e sim um presente momentâneo perdido no passado, no qual remexemos nossas vagas memórias e imploramos o óbito da saudade, mas por ora, ficam os aprendizes da nostalgia.
- O tempo é saudade em cima da cadeira. - SCHÜTZ, Mateus.
Jan 23, 2014 / 1 note
Escrevo-lhe novamente; hoje senti teu sol, teu brilho, teu aroma que se mistura com a brisa do amanhecer, senti-me cuidado, observado, rumado por uma mão que tocou minha aura, não importei-me com o cegar de meus olhos esta manhã pelo sol, pois sei, tua mão me conduziu. Peço para que ainda me conduza porque esta estrada é uma via de mão dupla, teus sinais observei, estão por aí, em toda parte. Mantenha esta paciência, pois estamos perto do fim e é com súplicos que peço-lhe: continue comigo até o fim!
Um susejeito oculto. - Mateus Schütz
Jan 6, 2014
Cheguei a beira do abismo, e é assim com meu corpo irrequieto que lhe suplico: olhai para baixo e fitais o declínio profundo onde minha alma está prestes a cair. Interceda com apenas um puxar leve de suas mãos, fortes o suficiente, para impulsionar um salto por cima do abismo. Já não sei mais para onde correr, meu corpo não responde mais aos mecanismos neurais, pois minha mente, nem sei por onde andas.
Mateus Schütz
Jan 5, 2014
Deito, rodeado por espinhos. Avisto, de longe, dezenas de rosas, tão belas. Logo, não posso toca-las, pois me encontro ainda rodeado por espinhos, onde por pequenos feixes é que avisto tais rosas. Porém, apenas avisto rosas, nenhum vestígio de luz, nem a lua se posta à noite, querendo aqui iluminar. Lamento com as mãos pousadas em meu rosto, seria eu capaz, tão capaz a ponto de tentar?
Mesmo sem saber por onde começar, nem qual rumo tomar, aguardo por feixes de luz, além de rosas
Rosas à vista, corpo a inércia. - Mateus Schütz
Jan 5, 2014